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O Natal é Bíblico?


"E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora dito." (Lucas 2:20).

Longe de ser apenas um festa de aniversário, o Natal não comemora o simples nascimento de Cristo, como se completasse mais um ano de sua chegada no mundo. O Natal está envolto no nascimento do Salvador, não uma simples criança, mas sim o Salvador e Luz do mundo.

Em Lucas 2 é narrado o nascimento de Cristo. Nos versículo de 8 a 11 de Lucas 2, anjos aparecem a alguns pastores que dormiam guardando o rebanho em uma região próxima à Belém, trazendo a mensagem do nascimento de Jesus. Existem alguns versículos chave para entendermos a ligação do Natal com a Bíblia:

► "O anjo, porém, lhes disse: Não temais, porquanto vos trago novas de grande alegria que o será para todo o povo" (versículo 10)

O anjo diz que portava "novas de grande alegria que o será para todo o povo". Tal descrição aponta-nos o fato de que o nascimento do Salvador traria grande alegria "para todo o povo", o que obviamente inclui a todos nós. O Natal, como hoje é celebrado, remete-nos a alegria profetizada pelo anjo, de modo que nos alegramos sobremaneira pela vinda de nosso Salvador.

► "Então, de repente, apareceu junto ao anjo grande multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens de boa vontade." (versículos 13 e 14)

O céu, toda a milícia celestial, comemora o nascimento de Cristo louvando a Deus. Semelhantemente, o Natal é tempo de louvarmos a Deus porque "um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz." (Is 9:6).

► "e, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita; e todos os que a ouviram se admiravam do que os pastores lhes diziam." (versículos 17 e 18).

Aqui, depois de verem Jesus como o anjo lhes havia dito, os pastores divulgaram (pregaram, anunciaram) tudo o que ouviram acerca do menino. Talvez foram eles os primeiros a anunciarem as boas novas da Salvação, uma vez que João Batista ainda era um recém nascido nessa época. O Natal, é o momento de anunciarmos que o Salvador veio ao mundo, que ele nasceu para nos dar vida. É um momento especial para compartilharmos a mensagem do Evangelho.

► "E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora dito." (versículo 20).

Aqui está o sentido Bíblico do Natal. Os pastores glorificavam a Deus pela vinda do Salvador, pelo nascimento do Filho de Deus. Tal alegria é expressa pelos anjos, pelos pastores e também pela estrela que guiou os reis do oriente até Jesus (Mt 2:9,10) que também causou alegria.

O Natal, portanto, longe de ser antibíblico, expressa nossa alegria pelo nascimento de Jesus Cristo, não um aniversário, mas um celebração em honra à vinda do Salvador, Luz para os perdidos e Senhor do Céu e da terra.

É o Natal uma Festa Pagã?

Muitos têm afirmado isso do Natal embasados em supostos fatos que tornaria o Natal uma festa pagã e antibíblica. Entretanto, será que estas questões invalidam o Natal diante da Palavra de Deus? Nesta oportunidade, gostaria de responder à alguns argumentos lançados por eles na tentativa de cruzar o Natal Cristão com o paganismo.

► Argumento 1: O Natal tem Paralelos com o Paganismo

A introdução de uma celebração ou cultura na igreja não é novidade. Naquele tempo (ano 300 depois de Cristo), o recém convertido imperador Romano Constantino, a fim de aproximar os pagãos do Cristianismo, substituiu a festa do solstício de inverno (em honra ao nascimento do deus-sol, o qual nada tem a ver com Ninrode mencionado em Gn 10:8) pela celebração do nascimento de Cristo. Sua intenção era banir o culto ao deus-sol, substituindo-o pelo culto ao Deus Verdadeiro que acabara de conhecer.

A festa era celebrada no dia 25 de Dezembro, que foi tomado por data simbólica do nascimento de Jesus. Jesus nasceu nesse dia? Obviamente não. Estudiosos dizem ser isto impossível, pois na época de dezembro era muito frio em Israel e portanto, impossível que os pastores estivessem  no campo à noite, como descrito em Lucas 2:8. Fazendo uso das condições climáticas descritas no texto e a época do censo romano mencionado em Lucas 2:1, é possível chegar à conclusão de que Jesus tenha nascido entre os meses de Setembro e Outubro, porém a data certa é desconhecida.

A data do nascimento é relevante? Acredito que não. Nascendo no dia 24 ou qualquer outro dos 365 dias do ano, isso não muda o fato de que o Salvador nasceu. Essa data foi escolhida com o objetivo de acabar com as festas idólatras e cumpriu bem esse papel. Alguns acham isso negativo, mas posso mostrar que é altamente usado. Não fazemos isso a todo tempo? Veja quando evangelizamos um jovem que curte Rap secular; não dizemos que existem Rap's Gospel? Não fazemos trocas de coisas seculares por coisas cristãs? Foi exatamente isso que Constantino fez, ele "converteu" uma festa pagã em uma festa cristã (tal como ocorre com as pessoas).

Argumento 2: Os Enfeites Natalinos são Pagãos

Muitos deles realmente vieram do paganismo, como as guirlandas e o pinheiro recheado de castanhas penduradas nas folhas. No entanto, paralelo é diferente de "cruzamento", isto é, envolvimento. Toda a doutrina Cristã têm paralelo no paganismo. Certo deus egípcio fez milagres, morreu crucificado e ressuscitou; isso te lembra algo? O fato de existir isso no paganismo torna o Cristianismo pagão? As lendas babilônicas tem seu próprio Noé, podemos então dizer que o Noé bíblico é pagão? Efetivamente que não.

Algo ainda mais perturbador é a Cruz. O apóstolo Paulo faz uso da palavra cruz como um símbolo da Fé, da Redenção e da Salvação em várias passagens da bíblia: 1Co 1:17,18; Gl 5:11, 6:12; Ef 2:16; Fp 3:18; Cl 1:20. Talvez o verso mais claro seja Gálatas 6:14, que diz:

"Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo."

Seria muito espanto descobrirmos que a cruz é um instrumento pagão? Esse fato é tão escandaloso para alguns, que determinada religião ensina que Cristo não morreu em uma cruz justamente por ser ela um símbolo proveniente do paganismo. Porém, obviamente a cruz é o maior símbolo do cristianismo sendo usado assim até pelo próprio Apóstolo Paulo. Assim sendo, qual o problema dos símbolos?

Símbolo só tem valor quando este é atribuído à ele, isto é, nenhum Cristão, por mais que lhe falta conhecimento bíblico, ergue uma árvore de Natal em sua casa com o intuito de adorar um deus pagão, muito menos ascende luzes ou enfeita sua casa com algum desígnio espiritual. É cultura (tipicamente ocidental) os enfeites natalinos, porém, apenas como enfeites temáticos, eles nada tem a ver com o lado espiritual. Não podemos definir certo ou errado usando o paganismo como base, pois a Palavra de Deus é que é a base para definir verdades. Paulo oportunamente diz: "pois todas as coisas criadas por Deus são boas, e nada deve ser rejeitado se é recebido com ações de graças; porque pela palavra de Deus e pela oração são santificadas." (1Tm 4:4,5).

Argumento 3: Jesus não nos Pede para Comemorarmos seu Nascimento

Isso é fato verdadeiro, as duas únicas ordenanças de Cristo para nós são o Batismo (Mt 28:19) e a Ceia (Lc 22:19). Porém, o fato de Cristo não nos ter pedido para celebrarmos seu nascimento torna o Natal contrário à vontade de Deus?

Todos nós celebramos congressos de louvor e adoração, aniversário de algum grupo ou da Igreja e também fazemos encontros com variados temas: família, oração, etc. No entanto, nada disso foi ordenado por Jesus. Ele não nos pede para fazermos tais celebrações, então porque as fazemos? Obviamente, podemos louvar e adorar a Deus por mais um ano de lutas e vitórias de uma congregação, ou adorá-lo por seus grandes feitos em congressos; isso é possível porque a Bíblia diz: "Portanto, quer comais quer bebais, ou façais, qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus." (1Co 10:31).

As Escrituras nada falam sobre o assunto de forma direta. Cristo não pediu para comemorarmos seu nascimento, mas também não nos proibiu fazer tal coisa. Fazemos porque cremos e celebramos para glória de Deus, demonstrando nossa alegria pela vinda do Salvador ao mundo.

E o Papai Noel?

O sr. Noel é um personagem baseado em São Nicolau (canonizado pela Igreja Católica), que parece ser bastante aclamado pelo comércio. Sua origem é duvidosa, assim como todas as histórias que se têm sobre a origem dos símbolos natalinos. Uns dizem que é algo herdado do paganismo, porém, não existe uma comprovação histórica desse fato.

Entendo que os Cristãos não devem utilizá-lo por se tratar primeiramente de uma mentira, e também pelo importante fato de que ele é o principal vilão do natal, o principal responsável por roubar a glória de Cristo nessa época. Deve portanto ser rejeitado de nossas comemorações, a fim de que a centralidade do Natal permaneça em Jesus Cristo.

Conclusão

O Natal é um tempo de celebrarmos a vinda de Jesus, o Filho de Deus, ao mundo para salvar-nos de nossos pecados. Seu nascimento é uma ocasião de júbilo e adoração, de intenso agradecimento pela Salvação que nos foi oferecida por Ele mediante sua morte e ressurreição.

Muitos têm tentado, até de forma sincera, argumentar que o Natal não é uma festa Cristã. Porém, entendo que em uma festa onde somente Cristo é exaltado e glorificado, não há lugar para outro deus, pois sabemos o mesmo que Paulo afirma em 1 Coríntios 8:5,6 "Pois, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores), todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual existem todas as coisas, e por ele nós também".

Sabendo disso, podemos então glorificar a Deus pela vinda do Salvador ao mundo, para nos resgatar das trevas e nos transportar para o reino do seu amor. 

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■ Publicado originalmente em 23, de Dezembro de 2013, por Rafael Nogueira.

 

Como Assim "Separados do Mundo"?


Uma das realidades mais evidentes da Sagrada Escritura é a ordenança de sermos santos. O vocábulo grego hagios traduzido como “santo” em nossas bíblias, expressa um sentido de separação, consagração, dedicação exclusiva. Tal sentido, é expresso principalmente no texto de 1Pe 1:14-16, que diz:

Como filhos obedientes, não vos conformeis às concupiscências que antes tínheis na vossa ignorância; mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento; porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo.”

Diante disso, surgem várias questões: como assim “separado”? em que eu tenho que ser diferente do mundo? Que tipo de separação devo viver?

O Sentido de Santidade

A Bíblia define santidade como sendo uma obra proveniente da graça de Deus (1Co 1:2, 6:11; Hb 2:11, 10:10) através da expressão “sendo santificados” ou “são santificados”. Deus nos santifica pelo sangue de Cristo e por meio de nossa fé nele (At 26:18). Essa santificação é proveniente de Deus.

Por outro lado, o homem deve, conforme exposto por Pedro em sua primeira carta (citado acima), buscar a santidade. Aqui, entende-se a santidade como um caminho que possui duas vias: o afastamento do pecado e a aproximação de Deus. Tal santidade tem relação com a ideia de pureza ou integridade moral, não com perfeição. A Bíblia sempre emprega verbos que sugerem progressão e continuação no processo de santificação – os textos falam em pessoas que “estão sendo santificadas” e semelhantes. Com tal base, analisemos as duas vertentes que Pedro sugere com “sede santos”:

1. Afastar-se do Pecado

Se afastar do pecado implica um prévio conhecimento do que é o pecado. Creio ser impossível se afastar de algo que não se conhece. Portanto, por meio da Palavra de Deus, podemos conhecer o que é certo ou não, e assim, nos afastar de toda espécie de mal (1Ts 5:21,22).

Afastar-se do mal envolve a graça de Deus que nos capacita a vencer as tentações livrando-nos do mal, como Cristo nos ensina a orar: “e não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal” (Mt 6:13). Quando nos afastamos do pecado, estamos cumprindo a vontade de Deus, dedicando nossa vida a não fazer aquilo que desagrada ao Senhor, estamos nos consagrando ao Pai.

2. Achegar-se a Deus

Além de se afastar do pecado, devemos nos aproximar de Deus. Alguém pode questionar: ora, mas se eu me afastar do pecado, automaticamente não estarei me aproximando de Deus? É uma boa questão, mas pense o seguinte: suponhamos que uma pessoa está dentro de um buraco cheio de lama (o pecado), de repente, por meio da ajuda de alguém (graça de Deus) ela sai do buraco. Onde ela está? Na terra, certo? Porém, mesmo ela tendo saído do buraco, ainda resta um grande caminho até o céu. Esse caminho é o que devemos trilhar em nosso segundo passo.

Tiago escreve dizendo “Chegai-vos a Deus e ele se achegará a vós” (Tg 4:8). Quando nos achegamos a Deus, fazemo-nos participantes de sua glória e estaremos purificados de todo pecado pelo sangue de Cristo. O salmista declara “Por que mais vale um dia nos teus átrios do que em outra parte mil. Preferiria estar à porta da casa do meu Deus, a habitar nas tendas da perversidade” (Sl 84:10). Com tal dito, o salmista expressa seu desejo de estar próximo de Deus, como também nós precisamos desejar. Devemos buscar intimidade com Deus.

As Supostas “Diferenças” 

Muitos argumentam que os crentes devem ser “quadrados”, diferentes do mundo de forma exterior. Gostar de coisas diferentes, agir sempre de forma diferente e até andar de forma diferente. Tal atitude se assemelha muito à dos fariseus hipócritas que se preocupavam muito com a aparência (Mt 23:27,28). O que precisamos evitar é o pecado, aquilo que desagrada a Deus, não tudo aquilo que as pessoas fazem. Ora, se um ímpio compra determinado tipo de roupa eu não posso comprar porque sou “diferente”? Se eles falam de uma forma eu tenho que falar diferente? Se eles andam de um jeito, gostam de determinado tipo de música ou frequentam alguns lugares, tenho que me abster disso? Em nome de quê? É isso pecado? Se for, estaremos corretos em evitar; porém, do contrário, faríamos sacrifícios de tolo evitando coisas que não são pecaminosas em nome de uma falsa aparência.

Veja que Paulo quando diz que não devemos nos conformar com o mundo em Romanos 12:1, ele argumenta que devemos nos transformar pela renovação da nossa mente, não de nossa aparência. Devemos pois buscar a diferença em nosso coração, agindo de forma diferente quando uma situação favorece o pecado. Ternos ou bíblias debaixo do braço não nos torna diferentes diante de Deus. Devemos ser santos em nosso “procedimento” não em nossa aparência. Paulo fala sobre essas restrições criticando-as de forma bastante dura:

Se morrestes com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies (as quais coisas todas hão de perecer pelo uso), segundo os preceitos e doutrinas dos homens? As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne”  (Cl 2:20-23)

Santidade é a lei moral de Deus para que vivamos justamente e praticando aquilo que agradável ao Pai. Não precisamos de leis e restrições que aparentam ter grande valor, mas não passam de futilidades exteriores. Deus se importa mais com nosso coração (1Sm 6:7) e com nossas ações (Jo 13:17) do que com aquilo que demonstramos para os outros. Como diz o lema do Metodismo “Santidade ao Senhor” e não ‘aos homens’.

Conclusão

A santidade, como mandamento de Deus para o seu povo (1Pe 1:14-26), é fruto da obra redentora de Cristo, pela qual podemos (e somos capacitados a) nos afastar do pecado e nos aproximar de Deus. Devemos buscar uma vida íntegra junto à Deus e sua perfeita lei, não nos preocupando em sermos exteriormente diferentes no vestir, falar, andar, comer, etc, mas sim em rejeitar aquilo que é mal e louvar o que for bom. Existe muita diferença entre parecer diferente e fazer a diferença. Muitos pensam estar fazendo grande coisa tentando se mostrar diferente em tudo com o objetivo de parecer diferente, mas na verdade só atraem indiferença e/ou deboches; por outro lado, quando zelamos pelo que é bom e rejeitamos o mal, demonstramos que realmente somos separados para Deus, atraindo respeito e admiração muitas vezes, até mesmo, abrindo portas para a pregação da Palavra e do agir do Espírito Santo na vida das pessoas que nos observam.

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■ Publicado originalmente em 17, de Abril de 2014, por Rafael Nogueira.

 

Como Lidar com Meus Amigos não Cristãos?


Lívia é uma menina meiga e estudiosa do nono ano do ensino fundamental, adora ler e sair com as amigas para simples programas de fim de semana. Entretanto, em um destes fins de semana, resolveu aceitar o convite de sua amiga Flávia para visitar a Igreja do bairro. Lívia, impactada por Deus naquela ocasião, converteu-se e agora quer viver sua vida pautada pela Palavra de Deus. Entretanto, suas amigas de outrora continuam a chama-la para sair e se divertir como antes. E agora, o que Lívia deve fazer? Como ele deve se relacionar com suas amigas que não são cristãs?

A ilustração acima, embora seja fictícia, reflete uma realidade muito frequente em nossa vida, principalmente e especialmente na vida dos jovens que vêm para Cristo. Como proceder com as antigas amizades? Devo cortar os relacionamentos com os eles ou apenas mudar algumas coisas.

Amizades Preciosas, Relacionamentos Saudáveis

A Palavra de Deus contém preciosos ensinamentos sobre amizade, o destaque aqui vai para a amizade bem conhecida entre Davi e Jonatas narrada no primeiro livro do profeta Samuel. Em Atos 27:3 Paulo é citado encontrando-se com seus amigos. Relações de amizade também são citadas em 3João 1:15. Enfim, a Bíblia narra relações de amizade e até mais profundas que essas. Jesus, o próprio, diz em João 15:15 “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamei-vos amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos dei a conhecer”.

Amizades são coisas boas, criadas por Deus para completar o ser humano, o qual é, por natureza, um ser social. Estudiosos dizem que é impossível ao ser humano sentir-se realizado longe do seu semelhante; a amizade faz parte da interação social e do desenvolvimento de todas as pessoas.

Não obstante, amizades são boas e más; algumas acrescentam mais em sua vida, outras retiram. Podemos dizer, com uma certa razão, que todas as pessoas que se achegam a você inevitavelmente vão acrescentar algo em sua vida ou farão o contrário. Por este motivo, a Bíblia manda que fiquemos alertas com as pessoas que nos relacionamos, pois elas podem (e vão) influenciar nossa vida, nossos hábitos e nossas ações. Conforme as palavras de Paulo:

Não vos enganeis. As más companhias corrompem os bons costumes.” (1Co 15:33)

É preciso ser sábio, cauteloso para escolher as amizades que temos ou para mantê-las. A Bíblia não nos pede para deixar nossas antigas amizades em função da incredulidade deles, porque afinal, como diz Paulo:

com isso não me referia à comunicação em geral com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo.” (1Co 5:10)

A questão principal é: quem são nossos amigos e como eles influenciam nossa vida? Uma resposta positiva a essa pergunta pode carimbar a excelência de uma grande amizade. Por outro lado, podemos nos espantar com a facilidade que satanás tem para derrubar pessoa por meio de suas “amizades”, sejam crentes ou não.

Devo Manter Minhas Antigas Amizades? Como Saber?

O processo de conversão transforma a pessoa em uma nova criatura (2Co 5:17), com uma nova forma de agir, sentir e pensar; literalmente um nova pessoa – uma vez que todo o seu ser é transformado pelo poder do Evangelho. Como servo de Deus, é preciso tomar cuidado e zelar pela preciosidade do seu coração, evitando se envolver com a sujeira espiritual disponível no mundo; isso inclui, fatalmente, amizades destrutivas. A Bíblia afirma de forma categórica:

Quem anda com os sábios será sábio; mas o companheiro dos tolos sofre aflição.” (Pv 13:20)

Quem são seus amigos? O que praticam? Como tratam sua nova vida: com deboches ou respeitam sua decisão de viver para Cristo? É interessante que muitos Cristãos insistem em manter amizades que mais prejudicam sua fé do que ajudam. Seus “amigos” lhe convidam para fazer algo de errado? Eles criticam sua Fé e tentam tirá-lo do caminho da salvação? É necessário ter cautela com esses “amigos”, certamente eles não estão querendo acrescentar algo em sua vida, mas sim o contrário.

Um jovem novo convertido, cheios de antigas amizades, têm em mãos um campo de trabalho próprio para disseminar o Evangelho. Por meio de seu testemunho e de sua pregação, os velhos amigos tem a chance de ouvirem o Evangelho e encontrar-se com Cristo. Entretanto, muitas vezes acaba ocorrendo o contrário; é necessário sabedoria para lidar com esses casos, onde temos que aguardar o tempo de Deus (Ec 3:1). As amizades verdadeiras são extremamente bem vindas, ajudam no crescimento pessoal e social de toda pessoa, e não deve ser desprezada – sendo ou não um servo de Cristo, um bom amigo está, por meio dessa amizade fiel e verdadeira, praticando e cultivando sentimentos e atitudes cristãs.

Conclusão

É extremamente importante refletirmos sobre nossas amizades. Elas podem nos ajudar ou nos prejudicar, adicionar ou subtrair, entretanto, inevitavelmente irá nos influenciar. Por isso, devemos nos basear na Palavra de Deus para julgarmos conforme a reta justiça (Jo 7:25) todas as nossas amizades, sejam elas de cristãos ou não, para provarmos se estamos tendo influências positivas ou negativas desses amigos. Porém, sempre temos que ter em mente que “há um amigo que é mais chegado do que um irmão.” (Pv 18:24) e não podemos desprezar amizades, mas julgá-las e considerar os melhores amigos.

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■ Publicado originalmente em 9, de Abril de 2014, por Rafael Nogueira.

 

O Espírito Santo é uma pessoa ou um poder?


A primeira vista pode parecer apenas uma questão teológica e complexa a ser debatia nas cadeiras de um seminário de teologia; no entanto, a questão entre a personalidade ou a utilidade do Espírito Santo é muito importante para nossa vida prática. De maneira geral, os jovens se interessam pouco por doutrinas e longos estudos sistemáticos da Escritura, porém, mostram-se bastante abertos há conhecer um pouco mais sobre o Espírito de Deus. Entendamos agora, qual a diferença prática entre o Espírito ser um ‘poder’ ou uma ‘pessoa’.

Poder ou Pessoa: O que isso Significa?

Por definição, ‘pessoa’ é um ser dotado de inteligência, vontade e sentimentos; alguém que é capaz de raciocinar, de querer e de ter emoções próprias. Em suma, um ser pessoal contém o que chamamos de ‘personalidade’. Por outro lado, ‘poder’ significa, em uma descrição bastante superficial, capacidade ou autoridade para fazer ou deixar de fazer algo. Isso significa que, se alguém tem o ‘poder de curar’, ele tem capacidade e autoridade para realizar uma cura.

A partir dessas definições, certamente você já percebeu que se trata de uma relação bem distinta. Pessoa e poder são completamente diferentes, sendo este último impessoal, neutro, comparável a um simples objeto ou uma ação involuntária. Alguém que tenha ‘personalidade’, isto é, que é uma pessoa, não  pode ser comparado a um objeto, muito menos a uma ação; antes, trata-se de um ser com identidade própria, com vontade e consciência.

Você deve estar se perguntando: “Tá bom, já entendi essa diferença, mas o que isso tem de prático?”. Bem, várias aplicações são possíveis para a vida prática através dessas definições, porém, nenhuma é mais importante do que a seguinte: como você se relaciona com o Espírito Santo? Se ele é um ‘poder’, então você deveria perguntar “Como posso ter mais do Espírito Santo?”. Do contrário, caso for ele uma pessoa, seu questionamento será um pouco diferente: “Como o Espírito Santo pode ter mais de mim?”. Afinal, de qual das duas formas você busca se relacionar com o Espírito Santo?

Ele é um Ser Pessoal, não um Poder

Talvez, não há verso na Bíblia mais claro sobre a personalidade do Espírito Santo do que as palavras de Jesus Cristo em João 16:13, que diz:

Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras."

Imagine que você está lá, entre os discípulos, ouvindo essa frase de Jesus; o que você pensaria a respeito desse “Espírito da verdade”: que trata-se de um poder ou de uma pessoa? Bem, certamente concordaremos que nenhum tipo de ‘poder’ guia, fala, ouve ou anuncia alguma coisa, concorda? Somente um ser pessoal pode realizar tais coisas. Evidentemente, existem outros textos nas Escrituras que mostram o Espírito Santo falando (At 13:2), como se tivesse vontade própria (1Co 12:11), intercedendo (Rm 8:27) e como possuindo sentimentos (Rm 15:30; Ef 4:30), enfim, me faltaria espaço para discorrer sobre os textos que mostram sua evidente personalidade.

De qualquer forma, fica claro que o Espírito Santo não é um ‘poder’ impessoal que nos é dado para que usemos e abusemos, mas sim uma pessoa espiritual que deve ser respeitada, adorada e servida. Além disso, a Bíblia diz que o Espírito Santo tem poder (Lc 4:14; Rm 15:13,19), seria um absurdo que um ‘poder’ tivesse poder. Portanto, o Espírito de Deus é um ser pessoal, Todo-poderoso, cheio de Glória e Majestade e que procede do Pai, assim como Cristo, já que ocupa o lugar de “ajudador” [do grego parakletos], o substituto de Cristo na terra.

Eu Posso Ter mais Dele ou Ele Pode Ter mais de Mim?

A Bíblia nos mostra um ocorrido bastante interessante para que possamos analisar. Em Atos capítulo 8, conta-se a história de um homem chamado Simão, habitante de Samaria. Como vemos nos versículos de 9 a 11, ele era um mágico ou ilusionista que fazia muitas supostas maravilhas e o povo pasmava diante dele. Porém, quando Filipe (um dos Diáconos da Igreja) chegou à cidade pregando o Reino de Deus (verso 12), Simão creu na mensagem e até foi batizado (versículo 13) por Filipe, ficando admirado pelos prodígios que Filipe operava no meio do povo.

Em pouco tempo, os apóstolos souberam que Samaria recebeu a palavra e enviaram-lhes dois apóstolos, a saber, Pedro e João (verso 14). Quando eles chegaram a Samaria, oraram para que os que haviam se convertido recebessem também o Espírito. Simão, vendo isso, fez o que está narrado nos versos 18 e 19:

"Quando Simão viu que pela imposição das mãos dos apóstolos se dava o Espírito Santo, ofereceu-lhes dinheiro, dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos, receba o Espírito Santo."

Pedro, com toda sua maestria apostólica, repreendeu a Simão duramente, de modo que até o próprio Simão se assustou com a loucura que havia proposto. Qual foi seu erro? Oferecer dinheiro em troca do Espírito Santo demonstrou algumas coisas sobre a pessoa de Simão:

1. Ele não sabia quem era o Espírito de Deus;
2. Ele desrespeitou o Espírito ao fazer uma oferta para ‘comprá-lo’;
3. Ele negligenciou a personalidade do Espírito Santo e tratou-o como um objeto.

Erros gravíssimos que poderiam ter lhe custado muito caro se não tivesse se arrependido do que fizera (versículo 24). E nós, como estamos buscando nos relacionar com o Espírito Santo? Estaríamos agindo como Simão?

“Ah Rafael, impossível! Jamais sequer passou pela minha mente a ideia de oferecer algo em troca do Espírito Santo como intuito de compra-lo” – alguém poderia dizer. Porém, será mesmo verdade isso?

Poder de Deus para Sua Vida

Certamente você já ouviu a frase “pagar o preço” relacionado a alguma coisa espiritual, certo? Esse preço pode ser alguns jejuns, uma busca mais profunda ou frequentes subidas ao monte para orar. Agora, qual a diferença entre isso e dinheiro? As duas formas não buscam oferecer um preço por pagamento? Deus não se preocupa com o tipo de ação que estamos praticando, mas sim com nossa intenção. Existem pessoas que vão todos os dias à Igreja, fazem horas de jejuns e longas orações, porém, têm apenas o objetivo de alcançar alguma bênção de Deus e não o próprio Deus.

Com o Espírito Santo não é diferente; muitos dizem busca-lo, mas na verdade, buscam apenas poder. Estamos buscando servir ao Espírito, amá-lo, adorá-lo, viver de modo a agradá-lo, ou estamos somente barganhando com ele? Naturalmente, o poder de Deus que emana do seu Espírito estará sobre aqueles que o amam e o buscam de coração, colocando-se a serviço dele. Temos que nos colocar à disposição do Espírito de Cristo, para recebermos o poder, não o contrário. Estamos buscando a face de Deus ou suas mãos? Queremos a presença de Deus ou o poder dele?

O Espírito Santo é uma pessoa espiritual, ele é o Consolador enviado por Cristo. Devemos busca-lo com nossas forças e, quando estivermos juntos a ele de forma sincera e pura, com o ardente desejo de servir a Deus e de entregar nossa vida no altar do nosso coração como uma oferta verdadeira a Deus, então o poder de Deus virá sobre nós e seremos capacitados a realizar a sua soberana vontade.

Quero que pense nisso: Como o Espírito Santo pode ter mais de você? Encontre a resposta e ponha em prática; certamente sua vida será transformada!

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■ Publicado originalmente em 26, de Fevereiro de 2014, por Rafael Nogueira.

 

Santidade: O Padrão de Deus para a Vida!



TEXTO BÁSICO
"mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus" (Isaías 59:2)

A palavra Santo (do grego hagios) significa separado, puro, limpo. É exatamente nesse sentido que Deus nos convida e nos exorta a sermos santos, como a Bíblia declara em 1Pedro 1:16 "Sereis santos, porque eu sou santo". No entanto, consideremos algumas atitudes que nos tornam santos:

Rejeição do Pecado

A primeira característica da santidade é a rejeição do pecado. Uma pessoa que busca a santidade não se envolve ou se contamina com o erro. A Bíblia afirma que "bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores" (Salmos 1:1).

Por toda a Bíblia vemos exemplos de pessoas que buscaram a santidade e rejeitaram o pecado. Daniel por exemplo, era um fervoroso servo do Senhor e tinha o desejo de ser santo. Quando ele foi deportado para a Babilônia, todo o tipo de pecado lhe foi oferecido, mas a Bíblia declara que "Daniel, porém, propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia" (Daniel 1:8). Assim como Daniel, devemos rejeitar o pecado que nos seduz ao engano e à perdição. Devemos nos esforçar e agir de modo que o pecado não tenha domínio sobre nós.

Busca do Espírito Santo

A grande diferença entre a observância da Lei do Antigo Testamento e a do Novo Testamento, é que no Novo Testamento nós temos alguém que se envolve de maneira pessoal conosco e nos ajuda a evitar o pecado e sermos santos.

Buscar a presença do Espírito Santo na nossa vida pode fazer toda a diferença. Ele é chamado nas escrituras de consolador (João 14:16) e nós somos seu templo (1Coríntios 6:19). Ele nos ajuda a evitar o pecado e buscarmos a santidade, somos ainda exortados: "E não entristeçais o Espírito Santo de Deus" (Efésios 4:30).

Busca de Intimidade com Deus

Somente nos afastar do pecado não nos torna santos. A santidade consiste em rejeitar o pecado e se aproximar de Deus. Tiago escreve: "Chegai-vos para Deus, e ele se chegará para vós. Limpai as mãos, pecadores; e, vós de espírito vacilante, purificai os corações." (Tiago 4:8). Devemos limpar nossas mãos do engano do pecado e purificar nossos corações pela graça de Deus, tornando-nos assim santos, lavados pelo poderoso sangue de Jesus.

Deus quer se aproximar de nós, separando-nos do mundo enganoso, do sofrimento, do erro, do pecado e da morte, e quer nos levar à caminhos de paz e felicidade.

O Pecado só Destrói, Enquanto a Santidade Constrói

Uma das especialidades do pecado é destruir.  O pecado causa desordem, tristeza, dor, sofrimento, e Paulo afirma que "o salário do pecado é a morte" (Romanos 6:23a).

Todos os homens estavam em uma condição pecaminosa e perdida. Porém, Deus providenciou uma maneira de nos libertar do poder do pecado enviando seu único Filho Jesus Cristo para morrer em nosso lugar. Paulo afirma que o salário (resultado, consequência) do pecado é a morte, porém, ele prossegue: "mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor." (Romanos 6:23b).

A santidade, ao contrário do pecado, constrói. Ela edifica uma vida de felicidade e amor de Deus e nos leva a conhecer a Deus profundamente; como Moisés, face a face. A santidade é o que nos prepara para a santificação final, a transformação de que Paulo fala em 1 Coríntios 15:51-54. A Bíblia ainda nos exorta: "Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hebreus 12:14). Portanto, devemos assumir este compromisso de forma real, não cumprindo-o parcialmente, só nos fins de semana quando vamos à Igreja, mas diariamente.

O apóstolo Pedro nos exorta de forma amorosa: "Como filhos obedientes, não vos conformeis às concupiscências que antes tínheis na vossa ignorância; mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento" (1Pe 1:14-15). Sejamos, portanto, santos em todo o nosso procedimento para que abundemos em toda boa obra e em toda sabedoria no Espírito Santo!

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■ Publicado originalmente em 25, de Junho de 2012, por Rafael Nogueira.

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